Velocidade da banda larga no Brasil varia entre taxas de Líbia e Japão

Mapa mostra disparidade entre cidades; internet completa 20 anos no Brasil.

Média de velocidade é 3 Mbps; governo quer elevar a 25 Mbps até 2018.

Enquanto a maior parte dos moradores de 406 cidades do Brasil acessa a internet com uma velocidade inferior à oferecida na Líbia – um país em conflito –, a maioria dos habitantes de outros 456 municípios navega na web com velocidade similar à de países como Finlândia, Suíça e Japão.
É o que mostra um levantamento feito pelo G1com base nos dados mais recentes deste ano da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
A velocidade média da internet no Brasil, que completa 20 anos neste mês, gira em torno de 3 Mbps, o que faz o país ocupar a 89ª taxa de download mais rápida do mundo, atrás de Iraque, Kwait e Sri Lanka, segundo o último relatório da Akamai, empresa de alcance global e referência na área. A Coreia do Sul, em primeiro lugar no ranking formado por quase 150 países, tem uma velocidade média de 22,2 Mbps.

Como foi feito o mapeamento?
São cinco tipos de faixa de classificação (0 a 512 Kbps, 512 Kbps a 2 Mbps, 2 Mbps a 12 Mbps, 12 Mbps a 34 Mbps e acima de 34 Mbps). São Paulo, por exemplo, tem 3,1 milhões de pontos. A maioria deles (47%) se concentra na faixa de 2 a 12 Mbps.
Com base na faixa predominante de velocidade de cada cidade, o G1 elaborou um mapa. Ele mostra que em 406 cidades o maior percentual das conexões está na faixa que vai até 512 Kbps. Parte dos municípios está localizada na região Norte e no interior dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Como base de comparação, a Líbia, lanterna do ranking mundial, tem uma taxa média de 700 Kbps.
Velocidade - Brasil (Foto: Arte/G1)
O diretor de operações da Akamai, Jonas Silva, diz que essa situação reflete a história do país. “Toda a infraestrutura da internet está desenvolvida mais ou menos da forma como o Brasil foi colonizado. As cidades costeiras têm mais habitantes, tiveram um desenvolvimento primário melhor que o interior do Brasil. Por isso, as velocidades nesses locais são bastante altas”, diz.
Nas cidades do Sul, ele cita o fato de estarem próximas da fronteira e serem mais rurais como empecilho. O diretor da Akamai coloca o tamanho dos municípios como agravante. “Se a cidade tem mais de 1 milhão de habitantes, tem provedor de acesso que não acaba mais. Pode escolher o provedor A, B ou C. À medida que se entra para as cidades de 800 mil, já começa a diminuir a quantidade de provedores. Nas cidades menores, a oferta é mais baixa.”
Na outra ponta da velocidade da web, estão 456 cidades onde a maioria dos moradores conta com uma velocidade de 12 Mbps a 34 Mbps; 95% delas estão no estado de São Paulo. Melhor que elas, só Vinhedo (SP), a única cidade do país que tem como faixa predominante de acesso mais de 34 Mbps.
Alexander Castro, diretor de banda larga do Sinditelebrasil, a associação das teleoperadoras, diz que a maior concentração de renda favoreceu o estado de São Paulo: “Ao ver que havia mercado receptivo a serviços mais caros, as operadoras investiram em implantação de fibra ótica na região. A concorrência entre elas acabou sendo maior, o que tem tornado a oferta de serviços mais ampla e menos dispendiosa.”
“A prioridade das operadoras era buscar regiões com alto IDH, alta demanda, e isso levou a uma situação que a densidade de acesso ficou maior no Sudeste”, afirma Castro.
De acordo com o levantamento do G1, 3.971 cidades têm como faixa predominante de velocidade aquela que vai de 512 Kbps a 2 Mbps. Há ainda 733 cidades cuja maioria da população acessa a internet com uma velocidade que varia de 2 Mbps a 12 Mbps. Só três municípios (Balneário Rincão-SC, Mojuí dos Campos-PA e Pinto Bandeira-RS) não contam com nenhum ponto de acesso de banda larga fixa no país.

Carência de internet no Norte
O diretor da Sinditelebrasil e o diretor da Akamai concordam que a principal dificuldade hoje está em melhorar os índices da região Norte.
Download (Foto: Arte/G1)
“Quando se caminha para o Oeste, há um problema grave: não dá para passar nada. São regiões inóspitas e de floresta. Elas são servidas, com raras exceções, por satélite. E ele é por natureza caro e lento. No caso da Amazônia, pelo lado brasileiro, a floresta restringe a instalação de infraestrutura. Pelo lado vizinho, os Andes impedem a passagem de cabos. Tem que passar cabo a 4 mil metros de altitude”, conta Jonas Silva.
Alexander Castro diz que “enquanto não for possível colocar satélites que operem em bandas com custos melhores ao usuário, a situação não será revertida”.
O Ministério das Comunicações diz que “reconhece que há uma carência de infraestrutura ainda presente no Brasil que dificulta o acesso à banda larga de populações em algumas regiões mais isoladas e cria um hiato na disponibilidade de internet de alta velocidade no país”. “Ciente de que existe uma grande desigualdade no serviço ofertado, o governo não medirá esforços para, por meio do Programa Banda Larga Para Todos, melhorar essa realidade e diminuir os desequilíbrios regionais”, informa, em nota.
Banda Larga para Todos
O Brasil tem atualmente 24,3 milhões de pontos de acesso de banda larga fixa. Destes, 46,3% estão na faixa de 2Mbps a 12 Mbps.
O diretor da Sinditelebrasil traça um cenário otimista para os próximos anos. “As operadoras começaram a investir em novas tecnologias. No caso do móvel, a solução é o 4G. Na banda larga, as operadoras usaram soluções para otimizar o tráfego. Começaram a usar anéis metropolitanos de fibra ótica e até em bairros. Até 2019, vai ter acesso em todos os municípios do Brasil, e o país todo vai ter internet no patamar próximo de 20 Mbps.”
A meta do governo é ainda mais ousada. Segundo o Ministério das Comunicações, o Plano Banda Larga para Todos, ainda em formulação, pretende levar internet rápida, com uma velocidade média de 25 Mbps, para 95% da população brasileira até 2018.
Para chegar a esse patamar, no entanto, há um longo caminho a ser percorrido. Hoje, só 4,5% das conexões são por fibra ótica, relevam dados da Anatel.
O ministério diz que será preciso contar com “forte investimento em infraestrutura de fibra óptica e a operação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, que será lançado em 2016”. A pasta afirma, no entanto, que isso ainda depende do orçamento disponível para o programa.
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Como saber se seu wi-fi está sendo roubado (e o que fazer)



Muitos usuários deixam a rede wifi de casa aberta para o resto da família utilizar, o que facilita o furto
Nove da noite e, como em todos os outros dias, você quer ver um novo capítulo da série favorita através de algum serviço de streaming no computador.
Mas a conexão com a internet sem fio parece ficar lenta neste exato momento.
"Não é normal", você pensa. E a situação piora. "Não carrega. Por que não carrega?", você fala alto. Até que, sem conseguir ver nada, você desiste.
Se esta situação ocorre com frequência, é preciso pensar na hipótese de alguém estar usando sua rede wifi sem que você saiba. Abaixo, dicas para descobrir se sua internet está sendo furtada e como evitar isto.

1 - Suspeita
A primeira pista de um possível furto de wifi é simples: se a internet ficar mais lenta em algumas horas do dia ou se ficar lenta de forma recorrente.
A segunda pista virá do roteador. Você precisa apagar completamente todos os dispositivos sem fio de sua casa. Se uma das luzes do roteador, a destinada ao wifi (às vezes indicada como WLAN) continuar piscando, é possível que esteja ocorrendo o furto.

2 - Descubra o ladrão
Rede mais lenta do que o normal é motivo de suspeita
Se a suspeita já existe, é preciso antes descartar outras possibilidades, como estar usando uma rede sem fio com pouca velocidade, computadores demais ligados à ela ou até mesmo obstáculos físicos ao seu wifi.
Para descartar estas possibilidades, especialistas recomendam instalar no computador, smartphone ou tablet um programa ou aplicativo que mostre os dispositivos conectados à sua rede.
Leia mais: Quatro truques para melhorar a cobertura wifi na sua casa
Existem várias opções gratuitas, como o Fing, para Android e iOS; Network, Discovery ou Net Scan, apenas para Android; e IP Network Scanner ou iNet, para o iOS.

Também há opções para computadores de escritório: Angry IP Scanner ou Wireshark para várias plataformas e Wireless Network Watcher e Microsoft Network Monitor para os dispositivos da companhia de Bill Gates.

Todos eles mostram quantos dispositivos estão conectados à rede sem fio, cada um identificado com um endereço IP.

Se o aplicativo ou programa escolhido indicar que há mais dispositivos conectados à sua rede do que os que você tem, há um ladrão de wifi por perto.

3 - Veja se alguém se conectou enquanto você não estava
Antes de acusar alguém, verifique se não há computadores ou smartphones demais conectados à sua rede
Os programas e aplicativos citados acima detectam possíveis intrusos em sua rede wifi, mas apenas se eles estiverem usando sua rede ao mesmo tempo que você.
Mas há formas de saber se alguém se conectou ao seu wifi enquanto você não estava em casa.
Para isto, você precisa de uma informação do roteador: o endereço IP, uma série de números separados por pontos, de três em três.
É possível encontrar este número no manual do roteador ou então no próprio computador. Se você tem um Mac, basta clicar no ícone de wifi e ir até o "abrir centro de redes e recursos compartilhados" no menu, depois ir até "conexão de área local" ou "conexão de rede sem fio".

Leia mais: Menina de sete anos consegue hackear rede wi-fi em dez minutos
Vá até "detalhes", onde outra janela vai se abrir. O endereço IP identificado como "porta de link predeteminado IPv4" é o endereço IP do seu roteador.
Se o seu computador é Windows, vá até a "busca" e digite "ipconfig/all", depois "conexão LAN sem fio" e, por último, "endereço físico". Assim, poderá obter o endereço do roteador.

Você precisa colocar este número em seu navegador, desta forma poderá acessar a rede do roteador.
Após escrever a senha, você vai descobrir um registro das conexões feitas até este momento na sua rede wifi.

4 - Proteja sua rede
Talvez você tenha deixado sua rede sem fio aberta para que todos os membros da família possam se conectar. Ou talvez foi um descuido, ou algum vizinho usou algum aplicativo para descobrir suas senhas de wifi.

Mude a senha de acesso ao wifi e escolha uma mais complicada

Seja como for, ter um intruso em seu wifi pode causar mais problemas do que você pensa. Eles podem ter acesso a informações armazenadas em computadores conectados à sua rede e, em casos mais extremos, podem cometer um crime em seu nome, como baixar pornografia infantil, por exemplo.

Para evitar tudo isso, a primeira coisa a fazer é mudar a senha do wifi. Sempre substitua por alguma mais complexa.
James Lyne, da companhia especialista em segurança em internet Sophos, recomendou à BBC evitar o uso de apenas uma palavra na senha. O melhor é combinar letras e números.

Leia mais: Cientistas criam vírus de computador que se espalha pelo ar 'como gripe'

"É mais seguro 'AmoMuitoBBCBrasil123' do que 'BBCBrasil'", afirmou.
Para o especialista, outro truque para uma senha segura é pensar na letra da sua música favorita e escolher um trecho.
"Assim sua senha será muito maior e realmente difícil de decifrar", acrescentou.

Uma vez que você mudou a senha, também poderá configurar o roteador para que permita apenas a conexão de dispositivos com endereços MAC concretos.
Com isso, será mais difícil acessar sua rede wifi e você talvez nunca mais precise se preocupar se vai conseguir ou não assistir à sua série favorita.




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